Atmosfera: um olhar para o céu

por Silvério Ferreira da Silva Filho, Lattes CV: http://lattes.cnpq.br/7042681906158573

Nada mais misterioso que a peculiaridade de nosso planeta Terra em ser “repleto de vida” em meio a milhões de outros planetas tórpidos. Quimicamente, entretanto, a diversidade de vida em nosso se explica pela riqueza de oxigênio que possuímos em nossa atmosfera.

cosmos à vida

Não custa citar, a efeito de comparação, que Marte, nosso vizinho mais próximo, tem uma atmosfera muito menos espessa e que é formada essencialmente de cerca de 90% de dióxido de carbono.

Como mencionado, a singularidade de nosso planeta no sistema solar resulta do fato de nossa atmosfera ser quimicamente ativa e rica em oxigênio. Quimicamente, a maior parte da nossa atmosfera é formada por elementos não metálicos e destaca-se que apenas três gases, nitrogênio (N2), oxigênio (O2) e argônio (Ar), perfazem 99,9%, em volume, do ar atmosférico seco.

Tabela - Composição do ar seco no nível do mar

Acredita-se que a cerca de 3 ou 4 bilhões de anos a coisa era bem diferente, onde a atmosfera da Terra seria constituída principalmente de amônia, metano e água. Nessa época, o que se sabe é que havia pouco oxigênio livre, se é que havia. Provavelmente a radiação ultravioleta (UV) do Sol penetrava a atmosfera, tornando a superfície da Terra eventualmente estéril. Só para se ter ideia, a cada ano a Terra recebe aproximadamente 3.1024 Joules (J) de energia do Sol. Atualmente, quando esses raios solares nos atingem, apenas uma parte é absorvido pela atmosfera e pela superfície do planeta ao lado que o restante é refletido para os confins do espaço. Este processo é o responsável pela existência do que conhecemos como efeito estufa, o qual é fundamental para o clima da Terra. Não havendo esse efeito, a variação de temperatura entre dia e noite tornaria o clima do planeta insuportável e muito provavelmente não teríamos as condições necessárias para o desenvolvimento da vida em toda a sua complexidade.

No entanto, a mesma radiação UV citada no parágrafo anterior pode ter iniciado as reações químicas (talvez por baixo da superfície) que conduziram, por fim, à vida na Terra. Em síntese, os organismos vivos primitivos deveriam utilizar a energia do Sol para quebrar o dióxido de carbono (produzido pela atividade vulcânica) a fim de obter carbono, o qual era incorporado em suas próprias células. O principal subproduto desse processo, o qual chamamos de fotossíntese, é o oxigênio. A parti daí, surgiram diversos processos biológicos e hoje, como já mencionado, a nossa atmosfera consiste principalmente em oxigênio e nitrogênio gasosos. O que se pode concluir é que os processos biológicos determinaram (e determinam), em grande parte, as concentrações atmosféricas destes gases, onde as especificidades extraordinárias do oxigênio em ser reativo enquanto que o nitrogênio é inerte, originaram a nossa própria natureza.

REFERÊNCIAS

BAIRD, Colin. Química ambiental. Reverté, 2001.

BROWN, Theodore L. et al. Química: a ciência central. Pearson Prentice Hall, 2005.

CHANG, Raymond. Chemistry, 11th  Edition. The McGraw-Hill Companies, Inc., New York, 2012.

CITAÇÃO DESTE SITE

Incentive este trabalho fazendo a citação do post:

SILVA FILHO, S. F. Atmosfera: um olhar para céu. Disponível em: <https://quimicaexplica.wordpress.com/2017/08/01/atmosfera-um-olhar-para-o-ceu/ > Acesso em (data que você está acessando o site, ex.: 20 abril 1988)

 

2 comentários em “Atmosfera: um olhar para o céu

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