O MUNDO SE TRANSFORMA, A EDUCAÇÃO NÃO PARA

por Silvério Ferreira, Lattes CV: http://lattes.cnpq.br/7042681906158573

Como em uma reação química, de repente, o mundo se transforma. E em muito mais que um relance ouvimos o chamado de que a educação não pode parar. Nunca foi uma opção, para nós, professores, representou apenas mais uma prova da nossa lealdade e coragem. Professores do mundo todo aceitaram o desafio de aprender a adaptar as costumeiras aulas presenciais para aulas virtuais. Nunca foi uma tarefa fácil, analisamos, em verdade, ainda mais sem prévio treinamento pedagógico e tecnológico, como acontece em muitas escolas. E os reveses são conjuntos pois, para os alunos com acesso à internet (olha o tamanho dessa ressalva, amiúde), o grande desafio é aprender a gerenciar o tempo dentro de casa e ter disciplina para estudar no modelo de educação a distância. E tudo isso aconteceu como uma fração de segundos, frente aos nossos planos antes da crise. Os professores de química (assim como os das demais disciplinas escolares) estão nesse front de batalha desafiador e consideramos um grande leque de opções de soluções para contornar a adversidade, compartilhando experiências, reitero, estamos à postos.

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Covid-19, a solução Química: teremos tempo?

por Silvério Ferreira, Lattes CV: http://lattes.cnpq.br/7042681906158573

Um lacônico levantamento das substâncias químicas que estão sendo desenvolvidas como terapia para a pandemia de coronavírus mostra que “pequenas moléculas” orgânicas apresentam algumas perspectivas imediatas de uso e cura. O último trecho da frase anterior merece atenção pois os medicamentos que estão na “frente da fila” são compostos reaproveitados e já aprovados para uso humano, por muitas razões óbvias.

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Novo vírus Covid-19 era anteriormente chamado de 2019-nCoV – CDC/Reuters

O recente artigo Coronavirus puts drug repurposing on the fast track publicado na renomada Nature Biotechnology entra em detalhes sobre essa questão. Os ensaios clínicos (conjunto de procedimentos de investigação e desenvolvimento de medicamentos) são uma enorme perda de tempo – levando em conta o vírus que temos a combater, é claro – e se eles já foram feitos é uma grande vantagem, mesmo que a droga tenha sido desenvolvida com outros fins e não tenha (ainda) efetividade para o Covid-19. Um ajuste perfeito precisa ser feito e este é um ponto de partida espetacular para a ciência (Química!) moderna.

O que temos, então? O composto químico mais avançado provavelmente é o remdesivir, cuja estrutura é apresentada abaixo.

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Estrutura química do composto remdesivir.

Esta substância está em desenvolvimento há alguns anos como uma terapia com vírus RNA – foi originalmente desenvolvida para o Ebola e foi testada contra uma lista completa de vírus RNA de fita simples, apresentando sucesso contra as infecções. O remdesivir é um antiviral de espectro amplo. É um medicamento desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences, dos Estados Unidos. Os estudos desse composto inclui os Sars (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave) e da Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio). Notável é que esta substância também se mostrou viável contra o novo Covid-19 faltando ainda um ajuste (químico) óbvio e que cientistas de Wuhan, na China, publicaram na Nature resultados dos primeiros testes que são esperançosos.

O que devemos compreender é que qualquer novo medicamento de novas substâncias químicas contra o Covid-19 (ou qualquer novo patógeno) levará anos, e não há maneira de contornar isso. De qualquer forma, as chances são de que nós (e eu quero dizer “nós como espécie”) estaremos combatendo esta pandemia sem nenhuma arma farmacológica particularmente surpreendente. Eventualmente, teremos alguns, mas eu aconselho as pessoas, especialistas e políticos a não ficarem empolgados com as perspectivas de que novas terapias venham subindo a colina para nos ajudar. As chances de isso acontecer a tempo de fazer qualquer coisa sobre o surto atual são muito pequenas. Iremos por meses, anos, com as opções terapêuticas que temos agora.

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Homem usando máscara protetora contra o Covid-19 em San Fiorano, na Lombardia, segura um buquê de flores. A região, no norte da Itália, é a mais afetada pelo novo coronavírus no país. — Foto: Marzio Toniolo/via Reuter

Olhe ao seu redor: o que temos hoje é com o que temos que trabalhar e esta compreensão nos remota para o mais nobre pensamento de Lavoisier: “tudo se transforma”, ou, transformarseá para que haja vida.

Como desenlace, nos restará um único questionamento: teremos tempo?


CITAÇÃO 

Incentive este trabalho fazendo a citação do post:

SILVA FILHO, S. F. Covid-19, a solução Química: Teremos nosso próprio tempo? Disponível em: <https://quimicaexplica.wordpress.com/2020/03/18/covid-19-a-solucao-quimica-teremos-nosso-proprio-tempo/> Acesso em (data que você está acessando o site, ex.: 20 abril 1988)


Anel de CARBONO-18: Novo alótropo do Carbono é a mais recente (e impressionante) descoberta da Ciência

Quando cada um dos seus átomos está ligado a três outros átomos de carbono, temos uma estrutura relativamente macia, a qual chamamos de grafite. Adicione apenas mais uma ligação e ela se torna um dos minerais mais duros e conhecidos, o diamante. Outros formas, como 60 átomos de carbono juntos em forma de bola de futebol representa o fulereno-60. Mas um anel de átomos de carbono, onde cada átomo está ligado a apenas dois outros, e nada mais? Bem, ninguém nunca montou um arranjo estável em que cada carbono tenha apenas dois vizinhos – até agora. Isso estava na cabeça dos cientistas há 50 anos como um inolvidável mistério. Suas melhores tentativas resultaram em um anel de carbono gasoso que rapidamente se dissipava.


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Representação 3D do anel de carbono, com base em dados de microscopia de força atômica. Ilustração: pesquisa da IBM.

Uma equipe de pesquisadores, no entanto, sintetizou a primeira molécula em forma de anel de carbono – um círculo de 18 átomos. Este trabalho impressionante pode representar um novo campo de investigação pois esta estrutura é (até o momento) o menor ciclocarbono que se prevê termodinamicamente estável e pode ser o segredo para transistores em tamanho molecular. 

Os químicos começaram com uma molécula triangular de carbono e oxigênio, que manipularam com correntes elétricas para criar o anel de carbono-18.


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Etapas da síntese do ciclocarbono. Imagem: Pesquisa da IBM.

Os estudos iniciais das propriedades desta molécula sugerem que ela atua como um semicondutor, o que poderia tornar cadeias de carbono lineares úteis, úteis como componentes eletrônicos de escala molecular, como mencionado anteriormente. De fato, uso potencial em eletrônica. E a própria propriedade que tornou os ciclocarbonetos tão difíceis de isolar – sua alta reatividade – significa que eles poderiam ser usados ​​para criar outros alótropos de carbono e materiais ricos em carbono. Para a ciência como um todo isto é brilhante pois, tendo um problema resolvido, agora partimos para o próximo, em um universo inimaginável de possibilidades.


A pesquisa foi publicada na Science no artigo An sp-hybridized molecular carbon allotrope, cyclo[18]carbon.