História da Química

por Silvério Ferreira, Lattes CV: http://lattes.cnpq.br/7042681906158573

Para entendermos a história da Química é preciso conhecer alguns aspectos de sua evolução mesmo sabendo que retratar essa evolução não é uma tarefa fácil. O que aqui está sendo priorizado pode ser de menor importância para outros, por isso, devemos tomar consciência muito além das datas e priorizarmos a evolução cientifica, quais paradigmas foram modificados, quais teorias foram refutadas, os contextos políticos, sociais, econômicos, filosóficos, e até religiosos afim de que possamos ampliar nosso entendimento de como a Química, e sua evolução como ciência, se constitui.

Cristian Baitg The Image Bank Getty Images
O químico alemão Andreas Sigismund Marggraf descobriu o elemento zinco. Ele isolou o metal em 1746 por aquecimento de carbono e calamina em um recipiente fechado feito de cobre. (Crédito: Cristian Baitg /The Image Bank /Getty Images)

Considerando-se que ciências como Matemática, Astronomia, Física e Medicina têm uma história que remonta a muitos séculos antes de Cristo, pode-se dizer que a Química é uma ciência relativamente nova, entretanto, sua retrospectiva refere-se ao conhecimento que foi acumulado e aplicado pelo homem ao longo de seu desenvolvimento, a começar de seu surgimento na Terra até a posição que hoje ele ocupa.

Nos tópicos a seguir serão abordados aspectos, iniciando-se pela conceituação desta ciência, e seguindo um panorama sobre o desenvolvimento da Química, desde o período denominado Pré-Científico até seu surgimento como Ciência Moderna no século XVIII.

Conceituando Química

Química é a ciência que estuda a natureza, propriedades, composição e as transformações da matéria, assim como a energia envolvida nessas transformações. Esta ciência possui um campo de atuação tão amplo que envolve quase todas as ciências naturais, por isso há uma múltipla ligação com outras disciplinas, tais como a geoquímica, astroquímica e a físico-química.

Química no Cotidiano

Em um dia comum, é possível que a primeira coisa que você faz ao acordar seja escovar os dentes. Antes mesmo de você tomar banho, ou se olhar no espelho, aplica a pasta de dental na escova e começa a escovação. Hoje em dia, você pode escolher a pasta de dente pelo gosto, isso por que existem processos químicos capazes de produzir pasta com gosto de menta, jasmim, berinjela, café, manteiga de amendoim e os mais variados sabores exóticos possíveis. A maioria das pessoas preferem a refrescante pasta de menta. As folhas de mente, a saber, já eram usadas na antiguidade para melhorar o hálito. A Química o ajuda construir o seu mundo. Ela está presente desde os aditivos (na pasta) que diminuem a evaporação da água, evitando assim que a pasta vire pó, como também na fita dental, composta de polímeros e fibras sintéticas que permitem completar a higiene bucal de forma segura e eficiente. A Química está presente na base do avanço econômico e tecnológico, e estes são possibilitados pelo desenvolvimento de novas substâncias químicas. Não há área ou setor que não se utilize da química.

No setor alimentício, a química é responsável por alimentar uma população em constante crescimento, utilizando produtos químicos que fertilizam a terra, conservando e aumentando o seu potencial produtivo. A importância da fertilização é a reposição e enriquecimento do solo por elementos como azoto, fósforo, potássio, enxofre, cálcio e magnésio que são retirados do solo pela ação de chuvas, queimadas e constantes colheitas. Sem essa reposição, a terra esgota seus recursos naturais e assim, não consegue manter sua produtividade. Ainda na agricultura a química é importante na produção de pesticidas que permitem além do crescimento da planta/cereal com rapidez, devido ao adubo, o crescimento saudável, livre de pestes de insetos que destroem as plantações e culturas.

Na saúde a Química está presente em todos os medicamentos modernos. Na saúde, ela sempre desempenhou um papel central nesse esforço, desde o tempo das porções mágicas, com os alquimistas, passando por curandeiros e sacerdotes tribais, até hoje com o auxílio de moderna tecnologia. É utilizando de conhecimentos da Química que cientistas de todo o mundo sintetizam anualmente novas moléculas, curando doenças e fortalecendo a saúde humana. Através dela, também, são produzidos matérias-primas específicas para a medicina, como válvulas cardíacas, próteses anatômicas, seringas descartáveis, luvas cirúrgicas, recipientes para soro, tubos flexíveis e atóxicos e embalagens para a coleta e armazenamento de sangue são alguns exemplos de produtos químicos que revolucionaram e continuam a revolucionar a medicina.

Sem dúvida alguma, a Química está presente em todos os produtos que nos acompanham no dia-a-dia. A indústria química é um dos mais importantes, inovadores e dinâmicos setores. A temos presente da siderurgia à indústria da informática, das artes à construção civil, da agricultura à indústria aeroespacial. Como ciência, a Química tem como objetivo solucionar os desafios globais e nos oferecer melhor qualidade de vida. De fato, a química encontra-se próxima do cerne de vários problemas que preocupam a todos: melhoria no tratamento da saúde, conservação dos recursos naturais, proteção do meio ambiente, suprimento de nossas necessidades diárias de alimento, vestuário e moradia.

Se por um lado, ressaltamos os benefícios da Química, por outro podemos acertar que os problemas que podem surgir (da Química) dependem da forma de produção e aplicação desses produtos, e o homem, como principal usuário, deve estar consciente de seus atos. Isto porque, a crença popular credita a Química, toda a poluição existente no mundo, assim como muitos outros males “por ela” causados. Definitivamente, ISTO NÃO É VERDADE. Os produtos são projetados para serem úteis à humanidade. E, portanto, o problema reside no mau uso desses produtos. Atualmente, seria impossível imaginar um mundo sem petróleo, sua utilização para produzir gasolina, plásticos, diesel etc., mas, amiúde, vemos em noticiários reportagens acerca de derramamentos nocivos em mares, devido a acidentes marítimos. O problema, consequentemente, não está no uso, mas sim no abuso da utilização dos produtos químicos.

Considerar a relevância desses fatos é compreender que aprender Química, na sociedade de hoje, é ter em mente a construção da cidadania no que se refere à participação consciente e deliberada na sociedade. Para essa consciência, é necessário que o cidadão disponha do conhecimento químico básico relacionado ao avanço dessa sociedade. É nessa perspectiva que a Química é tão importante em nossas vidas e dai podemos concluir o porquê de estudá-la.

A Evolução da Ciência

Desde o início da civilização até hoje, a humanidade pode observar que a natureza é formada por materiais muito diferentes entre si. O ser humano, de fato, possui diversas qualidades, dentre elas, a sensibilidade e a capacidade de observação, ambas instrumentos que lhe possibilitam perceber a existência de leis naturais. E é por meio dessas leis, como, por exemplo, a atração gravitacional, que percebemos as ações que o universo nos impõe para que assim, possamos nos relacionar melhor com o meio.

De fato, nunca, em toda a história da humanidade, viu-se o homem com tamanho poder de influenciar o meio em que vive. As ciências modernas, construídas no século XIX, possibilitaram avanços intelectuais e tecnológicos que possibilitaram aos cientistas decompor as substâncias em componentes cada vez menores e consequentemente explicar muitas das suas características físicas e químicas. Esse desenvolvimento possibilitou o uso de tecnologias cada vez mais sofisticadas, o que proporcionou meios ainda melhores de estudar coisas que não podem ser vistas a olho nu. Os computadores e microscópios especiais permitiram, por exemplo, aos químicos analisar a estrutura dos átomos e moléculas – unidades fundamentais nas quais se baseia o estudo da química – assim como conceber novas substâncias com propriedades específicas, como medicamentos e produtos que não poluem o meio ambiente.

E isto só tornou-se possível como resultado de um esforço humano chamado Ciência. A Ciência, pois, trata de estudar as obras da natureza juntamente com suas leis. Durante um período de tempo, à medida que a quantidade de fatos sobre a natureza eram documentados, a ciência evoluiu gradualmente em um número de especialidades fortemente relacionadas: biologia, química, física. Estas especialidades fazem com que a Ciência, em geral, possua um amplo caráter aplicativo e interdisciplinar, ou seja, é necessária a utilização de um conjunto de outras ciências para a resolução de determinados problemas. Por exemplo, qualquer estudante de Química precisa de conhecimentos matemáticos para compreender o processamento de algumas reações químicas. Se olhar em uma direção, na da Física, por exemplo, você irá ver que muitos dos princípios da Química baseiam-se no comportamento de átomos e moléculas mas, por outro lado, se você olhar para o lado da biologia, verá como os químicos contribuem para a compreensão de propriedades impressionantes da matéria, vida. Essa interdisciplinaridade de conhecimentos amplia e evolui o conhecimento humano assim como caracteriza como explicação racional os fenômenos estudados. Foi assim que, ao longo dos tempos, o homem tomou posição perante os diversos assuntos e dúvidas que o inquietavam. Sobretudo, a principal característica da ciência moderna, resultantes de suas próprias descoberta, sob sua própria influência, é o fato de ter proporcionado uma nova visão de mundo à sociedade, visão esta que não detêm uma verdade absoluta, mas que, sob este pressuposto, busca a cada dia uma nova verdade direcionada aos valores humanos, num conceito bem mais abrangente do que os conformistas da antiguidade, bem mais viável e cioso de conhecimento.

Ciências Naturais

Às disciplinas que buscam o conhecimento científico mediante um estudo sistemático da natureza recebem o nome de ciências naturais. As principais são: a física, a biologia, a geologia, a astronomia, horologia e a química.

O Estudo da Química

Como foi sugerido no tópico “evolução da ciência” o ser humano tem buscado, há séculos, compreender os fenômenos que regem sua vida, valendo-se da observação direta e indireta, simulações e representações para alcançar tais objetivos.

Já vimos também que a Química está presente em todas as atividades do nosso cotidiano e é impossível imaginarmos um mundo privado de combustíveis, medicamentos, fertilizantes, pigmentos, alimentos, plásticos etc., produtos fabricados na indústria química.

Disto isto, fica evidente a importância do seu estudo frente a sociedade em que vivemos. Entretanto, em se tratando de estudar química, existe a ideia de que a química é difícil. Ainda, que é mais difícil que as outras matérias, o que pode causar grandes transtornos por parte de professores e alunos. O fato de a Química possuir um vocabulário muito especializado pode ser uma das justificativas dessas crenças, nesta percepção. Mas se pararmos para pensar, o nosso cotidiano, pode ser uma imensa motivação para seu aprendizado. Acredite uma cozinha pode ser o maior laboratório de química que você pode frequentar. Mesmo que você nunca tenha estudado Química, aposto que sabe que água e óleo não se misturam e que a água fervendo no fogo evaporará. Esses são apenas dois exemplos de um mundo repleto de transformações. Você pode até tentar se justificar dizendo que não sabe o porquê tanto da água não se misturar com o óleo nem tampouco da água evaporar. Mas acredite, foi fazendo perguntas como essas que a ciência evolui e chegamos a todos o conhecimento cientifico que temos hoje.

Pense bem… O mundo está se transformando a cada dia, e cada vez mais rápido. Olhe ao seu redor: a Química está presente em tudo. E é preciso que você tenha, pelo menos, as noções preliminares da ciência Química, para entender o mundo e para que possa exercer plenamente o seu papel de cidadão.

A História da Química

Período Pré-Científico

O homem primitivo, no início do desenvolvimento humano, utilizou para sua sobrevivência todos os instrumentos que atendiam às suas necessidades, construídos com galhos de árvores, ossos, pedras brutas e trabalhadas, dentes, chifres, todos eles materiais obtidos diretamente da natureza. Pode-se afirmar que, neste período, praticamente não havia conhecimento químico envolvido.

As origens do conhecimento químico, porém, encontra-se em tempos imemoriais, em diferentes civilizações. Se fizermos recuar a história, podemos associar o domínio do fogo, há 400.000 anos, no período paleolítico, a um dos primeiros conhecimentos químicos adquiridos pelo homem primitivo. Esse domínio, naquela época, provavelmente era uma tarefa muito perigosa e difícil, associada a seres e forças sobre-humanas que evidenciavam uma analogia mística e religiosa. Apesar da analogia referida, é incontestável que dessa descoberta vieram importantes benefícios relacionados à melhoria da qualidade de vida. Com o fogo, o homem conseguia cozinhar seus alimentos e obtinha uma fonte de luz e calor para aquecer e se proteger dos animais selvagens com os quais conviviam. Deve ter sido uma grande surpresa o homem primitivo observar que decorrência da ação do fogo a madeira se transformava em cinzas, a areia tomava forma de vidro ao ser resfriada e o barro se tornava mais resistente. Foi a partir disso que surgiu o domínio das técnicas de fabricação de vidro e utensílios de cerâmica.

Utilizando-se de técnicas primitivas como o martelamento o homem passou a valorizar os primeiros metais que eram encontrados em forma pura na natureza, como o ouro e o cobre. Esses metais, por serem relativamente moles, podiam ser moldados pela técnica do martelamento que, além da moldagem, aumentava a dureza e resistência dos utensílios produzidos. Há registros, datados de 8700 a.C., de objetos produzidos por esta técnica sendo este um colar de cobre encontrado no norte do Iraque. Utensílios produzidos nesta época utilizavam ferro proveniente de meteoritos, constituídos de ferro praticamente puro, que atingiram e ainda atingem a superfície do planeta. Dominando estas técnicas o homem primitivo substituiu gradativamente instrumentos menos resistentes que foram produzidos ao longo do período.

Prosseguindo, o homem deve ter começado a observar que o aquecimento da mistura de certas rochas com o carvão das fogueiras levava à fusão, o que lhes permitiu o isolamento e obtenção de novos materias, chumbo e cobre, dando início às operações metalúrgicas. Um avanço importante no desenvolvimento do conhecimento do homem nessa área foi a utilização de moldes esculpidos em pedra, em cera de abelha e em argila, para receber o metal fundido. O homem conseguia, após esse processo e o resfriamento do material, obter objetos com formas e dimensões desejadas. Dessa forma nasceu a técnica de fundição. O objeto mais antigo que se tem registro, na cultura ocidental, é uma rã fundida em cobre, datada de 3200 a.C., encontrada na região da mesopotâmia.

Depois, mediante experimentação ou como resultado de misturas acidentais descobriu-se que as propriedades mecânicas dos mesmos podiam ser melhoradas em suas ligas e metais. Não muito tempo depois, em 3000 a.C. apareceram outros metais. O bronze, por exemplo, sendo mais duro que o cobre, propiciou obter ferramentas, armaduras e espadas mais resistentes, transformando a civilização.

A metalurgia, por assim dizer, glorificou a civilização egípcia, que a usou para seu esplendor e glória. Dessa civilização surgiu a palavra Química, originada de Khemeia que, por sua vez se originou da palavra Kham, nome do Egito Antigo.

Essas operações metalúrgicas são tão importantes ao tratarmos a história da Química que até podemos dividir a História em períodos relacionados com o desenvolvimento dessas operações, como se ver no quadro a seguir:

Nome da idade Período estimado Conhecimento e operações
COBRE 6.000 a.C. a 3.000 a.C.

Início das operações metalúrgicas, utilização de ouro e cobre nativos, uso da prata e das ligas de ouro e prata, obtenção de cobre e chumbo a partir de seus minérios, desenvolvimento das técnicas de fundição.

BRONZE 3.000 a.C a 1.200 a.C

Isolamento de estanho a partir de seus minérios, preparação de diferentes tipos de bronze e sua utilização na produção de utensílios e espelhos, introdução do fole nas operações de fundição.

FERRO 1.200 a.C

a Início da Era Cristã

Produção de aço, cunhagem de moedas, uso de amálgamas.

Período Antigo

Sob a mística de pirâmides e maldições de múmias, os avanços científicos e culturais dos povos do Antigo Egito costumam surpreender. Há 40 séculos, a medicina e a farmacologia egípcia criaram procedimentos médicos e remédios usados até hoje por profissionais da área da saúde. A Química, presente principalmente na farmacologia fez com os egípcios conhecessem substâncias como óleo de rícino, ácido acetilsalicílico, própolis para cicatrização e anestésicos. A Química, como ciência, passou então a ter novos rumos.

O povo egípcio, como outros na Antiguidade, soube desenvolver e aperfeiçoar técnicas no aproveitamento de metais, resinas e óleos vegetais e animais. Esses povos, além de dominar tudo o que existia sobre metalurgia, sabiam fabricar objetos de vidro e de cerâmica, corantes, cosméticos e perfumes. Até mesmo a técnica de fermentação era conhecida, como atesta a fabricação da cerveja.

A Química, como ciência, não existiu na Grécia antiga. Entretanto deve-se notar que, mesmo sem serem identificados, já eram conhecidos (desde épocas anteriores) uma série de treze elementos químicos: antimônio (Sb), arsênio (As), bismuto (Bi), carbono (C), chumbo (Pb), cobre (Cu), enxofre (S), estanho (Sn), ferro (Fe), mercúrio (Hg), ouro (Au), prata (Ag) e zinco (Zn), bem como algumas ligas (bronze-cobre e estanho, e latão-cobre e zinco).

Os filósofos gregos, em suas especulações sobre o Universo, começaram a desenvolver diversas teorias sobre a composição da matéria e do cosmo. As ideias que tiveram maior impacto sobre o desenvolvimento futuro da ciência moderna concentram-se em duas teorias sobre a constituição da matéria, o Atomismo e a Teoria dos Quatro Elementos. Estas teorias baseavam unicamente no raciocínio, não se preocupando com a verificação prática de suas hipóteses e conclusões.

No Atomismo, ligado a Leucipo de Mileto e Demócrito de Abdera, a matéria seria descontínua e formada por elementos extremamente pequenos e indivisíveis (átomos), de modo que tentavam explicar, por exemplo, que a coesão do sólido seria devido ao entrelaçamento dos átomos. Leucipo afirmava que o universo é infinito, formado por uma parte vazia e por uma parte cheia. Esta última representaria a matéria. Acredita-se também que Demócrito teria sido o responsável pela expansão dos conceitos de Leucipo, postulando que a partículas fundamentais eram os átomos.

Na Teoria dos Quatro Elementos, associada aos nomes de Empédocles e Aristóteles, a matéria seria constituída por apenas quatro princípios: água, ar, fogo e terra. Cada um destes elementos seria formado por duas de quatro qualidades: quente, frio, seco e úmido. As combinações destas quatro qualidades, no final das contas, formaria toda a matéria existente.

Quatro elementos
Os quatro elementos dos antigos: Fogo, Ar, Terra e Água. Imagem reproduzida de Santo Isidoro, De responsione mundi et astrorum ordinatione
(Augsburgo, 1472).

Por fim, mesmo que os gregos não tenham sido capazes de introduzir o espírito cientifico no domínio da Química, promoveram o progresso no pensamento humano e, dessa forma, foram importantes para a Química prática que estava por vir.

A Alquimia

Nos berços da era medieval, combinando elementos da Química, Antropologia, Física, Arte, Astrologia, Magia, Filosofia, Metalurgia, Medicina, Matemática, Misticismo e Religião, surge uma prática antiga denominada Alquimia. Esta prática envolvia a aplicação de métodos de produção e transformação de elementos. Seus principais objetivos eram produzir a pedra filosofal e o elixir da longa vida. O primeiro consistia numa substância mística capaz de transmutar metais inferiores em ouro. O segundo, um remédio que curaria a todas as coisas e daria vida longa àqueles que o ingerissem, promovendo a vida eterna. Apesar de ser uma prática associada á Idade Média, a alquimia foi praticada na Mesopotâmia, Egito Antigo, Mundo Islâmico, América Latina pré-histórica, China, Coréia, Kiev e Europa, e até mesmo entre os aborígenes. Apesar de essa prática possuir mais atributos ligados á religião do que à ciência, a ela é atribuída o caráter de “proto-ciência”. Pode-se dizer que a alquimia é a mãe da Química Moderna, pois, além de favorecer o desenvolvimento das ciências, principalmente da Química, favoreceu a descoberta de diversas substâncias e métodos científicos.

Lab
Laboratório alquímico do século XVI. Museu Histórico da Saúde em Roma, c. 2000. (Crédito: Massimo Listri/Corbis/Latinstock)

Devido a isso algumas pessoas colocam a Alquimia como o início da Química; outros, porém, dizem que tratam de coisas diferentes. As divergências, em parte, decorrem do fato de que a Alquimia não ter como objetivos buscas puramente materiais (pedra filosofa e elixir da longa vida), mas também por algo ligado a alma, algo espiritual e místico.

Além disso, outro aspecto muito ligado a Alquimia, refere-se à criação de vida artificial, o que é conhecido como homunculus. 

Por fim, ressalta-se que, se não houve contribuição teórica e conceitual da Alquimia à formação da Química atual, não resta dúvida de que no campo experimental, técnico, de manipulação e instrumental a tradição alquímica foi de grande valor e tem seu papel de destaque nesta história.

Iatroquímica

A Iatroquímica ficou conhecida como o ramo da Química ligada à Medicina o que, atualmente, seria chamada de Química Medicinal e tinha como foco principal o preparo de medicamentos e a explicação de doenças. A Iatroquímica surgiu quando alquimistas começaram a defender a utilização de suas técnicas na Medicina e na produção de remédios. Tem como nome principal a figura polêmica e controvertida de Paracelso. Bêbado, fanfarrão e devasso, para uns. Genial e inovador, par outros. Philipus Aureolus Theophrastus von Hohenheim, autodenominado Paracelso, nasceu na Suíça m 1493 e faleceu em 1441. Era um alquimista e iatroquímico, e o maior contribuidor para o aprimoramento das práticas da Medicina, principalmente com seu aspecto farmacológico. Tanto que muitos dos compostos inorgânicos que ele pesquisa e utilizava em suas pesquisas permaneceram nas farmácias modernas, como os sais de zinco e cobre.

Posteriormente Johann Baptist Van Helmont (1579-1644) promoveu um grande movimento, com bases cientificas, a favor da Iatroquímica, mas sem nenhuma ligação com os trabalhos de Paracelso.

Jean Beguin (1550-1620), um dos mais conhecidos seguidores de Paracelso, escreveu o primeiro livro didático de Química, Tyrocinium Chymicum (1610), e Éléments de Chimie (1615), que mereceu seis edições em latim e francês, além de uma em inglês.

Química Moderna­

Não é possível fazer uma exata referência sobre o surgimento da Química Moderna. Não há uma data específica de seu início, entretanto, podemos afirmar, mediante a observação e construção do seu conhecimento, que ela se firmou como ciência no transcorrer da Idade Média, nos séculos XVII e XVIII. Deve-se lembrar, contudo, que durante o século XVII o conhecimento químico ainda era fortemente influenciado pelas ideias da Alquimia.

Considera-se que a Ciência Química começou a ser organizada a partir de muitos cientistas dessa época e que seus princípios básicos foram recolhidos pela primeira vez na obra do cientista britânico Robert Boyle (1627-1691): The Sceptical Chymist (O Químico Cético) (1661). É interessante que muitos dos cientistas envolvidos nessa afirmação da Química como ciência empregavam ao mesmo tempo procedimentos típicos da Alquimia. Resultado disso é que, enquanto Robert Boyle, por exemplo, é considerado por alguns o “pai da Química”, por seus trabalhos e publicação, é considerado por outros como o “último alquimista”.

A Química, como tal, passou a ser explorada um século mais tarde com os trabalhos do francês Antoine Lavoisier (1743-1794). Credita-se a Lavoisier a elaboração da Lei da Conservação das Massas ou Lei de Lavoisier:

“Numa reação química que ocorre num sistema fechado, a massa total antes da reação é igual à massa total após a reação.”

Ou ainda, filosoficamente falando:

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”

Juntamente com outros cientistas Lavoisier tentou encontrar uma linguagem própria para a Química. Foi também o primeiro a observar que o oxigênio, em contato com uma substância inflamável, produz combustão. Devido a tais feitos é considerado o pai da Química moderna.

A atribuição do título, porém, é passível de muitas considerações. Devido a proposição da aplicação do que hoje se conhece como método científico aos problemas químico, alguns cedem tal título a Boyle. Para a maior parte dos historiadores, entretanto, o título é dado a Lavoisier, devido aos feitos já mencionados.

REFERÊNCIAS

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BROWN, Theodore L. et al. Química: a ciência central. Pearson Prentice Hall, 2005.

CANTO, Eduardo Leite; PERUZZO, Francisco Miragaia. Química na abordagem do cotidiano. 4ª Edição, 2007.

CHANG, Raymond. Química geral. AMGH Editora, 2009.

FELTRE, Ricardo. Química: química geral. São Paulo: Moderna, v. 3, 2004.

GREENBERG, Arthur. “Uma breve história da química: da alquimia às ciências moleculares modernas.” São Paulo: Blucher (2009).

KOTZ, John C.; PAUL JR, M. Química geral e reações químicas. Cengage Learning Edições Ltda., 2010.

PERUZZO, Tito Miragaia; DO CANTO, Eduardo Leite.Química: volume único. Moderna, 1999.

REIS, Martha. Química: meio ambiente, cidadania, tecnologia. São Paulo: FTD, v. 1, 2010.

RUSSEL, John B. Química Geral. vol. 1 e 2. São Paulo: Makron, 1994.

USBERCO, João; SALVADOR, Edgard. Química geral. Volume único, v. 5, 1997.

CITAÇÃO DESTE SITE

Incentive este trabalho fazendo a citação do post:

SILVA FILHO, S. F. História da Química. Disponível em: <https://quimicaexplica.wordpress.com/historia-da-quimica/ > Acesso em (data que você está acessando o site, ex.: 20 abril 1988)

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