A Química da Castanha de Caju

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O caju (Anacardium occidentale L.) é considerado uma das frutas mais importantes e de ampla distribuição nos trópicos. Em síntese, o caju é formado pela castanha (fruto) e pelo pedúnculo, também denominado de falso fruto. Particularmente, da casca do caju, obtém-se um líquido cáustico inflamável, o líquido da casca da castanha de caju (LCCC) e que constitui, aproximadamente, 25% do peso total da castanha. Os principais componentes do LCCC são o ácido anacárdico, o cardanol e o cardol, compostos químicos orgânicos de reconhecida atividade biológica além de outras funções.

Apesar de sua origem ser bastante discutida as principais provas indicam ser do Brasil ou de todo o Norte da América do Sul e parte da América Central, os centros de procedência dessa espécie. Além disso, seu fruto também é produzido em diversos países tropicais, com destaque para Índia, Moçambique, Tanzânia e Quênia. O Brasil é o segundo maior produtor de castanhas de caju do mundo, ficando atrás somente da Índia. Suas áreas plantadas concentram-se na região Nordeste do Brasil, onde a extração e o processamento da castanha de caju representam atividades com grande capacidade de geração de emprego. Em síntese, o caju é formado pela castanha (fruto) e pelo pedúnculo, também denominado de falso fruto. A saber, o pedúnculo apresenta alto teor de vitamina C e grande atividade antioxidante, mas ainda é pouco explorado. A partir do processamento desta porção pode ser obtida grande quantidade de produtos, destacando-se a produção de sucos, doces e desidratados, como também a sua larga utilização na culinária na obtenção de pratos quentes e frios, farinhas, ração, entre outras. Particularmente, a castanha contém uma película envolvente que é removida durante o processamento, da qual são extraídos alcaloides e taninos.

Quimicamente, os alcalóides são compostos orgânicos heterocíclicos e podem ser definidos como uma substância orgânica cíclica contendo um nitrogênio em estado de oxidação negativo e cuja distribuição é limitada entre os organismos vivos, geralmente com ação biológica marcante, como a morfina, codeína, a cafeína e a nicotina.

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Estrutura química da codeína, um fármaco alcalóide do grupo dos opioides, utilizado no tratamento da dor moderada e como antitúsico.

Já os taninos correspondem a um grupo diverso de substâncias fenólicas, hidrossolúveis e com peso molecular entre 500 e 3000 unidades de massa atômica. Em geral são polifenóis de origem vegetal. Eles inibem o ataque às plantas por herbívoros vertebrados ou invertebrados (diminuição da palatabilidade, dificuldades na digestão, produção de compostos tóxicos a partir da hidrólise dos taninos) e também por microorganismos patogênicos.

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Estrutura química do Éster Hexahidroxidifenil (tanino elágico).

Principais componentes químicos encontrados na castanha de caju

Da casca do caju, obtém-se um líquido cáustico inflamável, o líquido da casca da castanha de caju (LCCC) e que constitui, aproximadamente, 25% do peso total da castanha. Os principais componentes do LCCC são o ácido anacárdico, o cardanol e o cardol. O ácido anacárdico se apresenta como um dos lipídios mais relatados na literatura com relação à atividade biológica, já que desnaturam as proteínas de microrganismos como as bactérias e fungos.

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Estrutura química geral dos ácidos anacárdicos, um dos principais componentes encontrados no líquido da casca da castanha de caju.

Os cardanóis são fenóis que têm uso na indústria química para resinas, revestimentos, materiais de fricção e surfactantes, sendo ainda empregados como dispersantes de pigmentos de tintas a base de água, mas não é amplamente explorado.

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Estrutura química geral dos cardanóis, outro componentes importante encontrados no líquido da casca da castanha de caju.

Os cardóis, que apresentam estrutura semelhante aos ácidos anacárdicos, possuem uma segunda hidroxila no anel aromático e compõem cerca de 10% do LCCC. Os cardóis assim como os ácidos anacárdicos desencadeiam reações de hipersensibilidade, podendo desencadear processos de dermatite perioral quando consumidas. Previamente considerado como um composto tóxico apresentou atividade antifilaríase, na inibição da acetilcolinesterase, contra o caramujo vetor da parasitose esquistossomose.

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Estrutura química geral dos cardóis, um terceiro componente importante encontrados no líquido da casca da castanha de caju.

Para consumo, a castanha de caju, assada, é rica em selênio, substância que desintoxica o organismo, ajudando a combater a dor de cabeça e a enxaqueca. Também é rica em magnésio, que evita vasoconstrições e dores de cabeça causadas por essa reação do organismo, tais como a enxaqueca.

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Foto: Thinkstock

Além disso, o site MUNDO BOA FORMA apresentou “13 Benefícios da Castanha de Caju – Para Que Serve e Propriedades”, dando destaque que a castanha de caju conta com carboidratos de qualidade, além de açúcares benéficos para o estado de saúde de todos, junto a fibras e vitaminas e aminoácidos. Os 13 Benefícios da Castanha de Caju apresentados seguem-se:

  1. Ajuda contra o câncer;
  2. Positiva para o sistema cardiovascular;
  3. Controle de pressão arterial;
  4. Cabelos fortes;
  5. Ossos fortes;
  6. Bile saudável;
  7. Emagrecimento;
  8. Ajuda o sistema digestório;
  9. Ajuda contra Menopausa e TPM;
  10. Ajuda o sistema imunológico;
  11. Olhos saudáveis;
  12. Ajuda contra a diabetes e,
  13. Mais músculos.

Para ver os detalhes desses benefícios basta seguir o link.



“Para saber mais” e principais fontes:

BUTLER, L.G. et al. Interaction of proteins with sorghum tannin: mechanism, specificity and significance. Journal of American Oil Chemistry Society, v.61, n.5, p.916-920, 1984.

LIMA, C. A. A.; PASTORE, Gláucia Maria; LIMA, Eliza Dorotea Pozzobon de A. Estudo da atividade antimicrobiana dos ácidos anacárdicos do óleo da casca da castanha de caju (CNSL) dos clones de cajueiro-anão-precoce CCP-76 e CCP-09 em cinco estágios de maturação sobre microrganismos da cavidade bucal. Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, 2000.

MELO, M. L. P. et al. Caracterização físico-química da amêndoa da castanha de caju (Anacardium occidentale L.) crua e tostada. Food Science and Technology (Campinas), v. 18, n. 2, p. 184-187, 1998.

MONTEIRO, J. M. et al. Taninos: uma abordagem da química à ecologia. Química Nova, v. 28, n. 5, p. 892, 2005.

OSMARI, M. P. et al. Líquido da casca da castanha de caju: características e aplicabilidades na produção animal.Publicações em Medicina Veterinária e Zootecnia. Maringá, v. 9, n. 3, p. 143- 149, Mar., 2015.

PAIVA, F. F. A. et al. Aproveitamento industrial do caju. Embrapa Agroindústria Tropical. Documentos, 2000.